Arquivo de Janeiro, 2012

Quebra-muros

Posted: 29/01/2012 in A vespa poética
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Tenho uma ambição deliberada!
Quero ser a mais profunda das criaturas anônimas
Entre todas aquelas que cavam no fundo da alma alguma esperança vã
Que eu seja então _  profunda
Apesar das dúbias metades que constituem o meu todo
Sempre confuso e terrivelmente feminino!
Serei assim, um transbordo de finais contundentes e insatisfações permanentes.
Em profundidade
Deixarei então a lucidez de lado
Essa tirana criação do mau humor
que persevera em cegar-me os sentidos julgando meus prazeres a revelia
E todas as ilusões serão irremediavelmente confessas
vastas e castas
E penso eu, serão astuciosamente permissivas
Mas que mal há nisso?!
Sempre carreguei uma seriedade latente
como um câncer convulsivo inundado de tormentas _ dia e noite!
E a razão me parece uma jaula formada pelas grades da promiscuidade,
culpada absoluta da perda escancarada da espontaneidade
Devemos sempre que possível furtar-lhes a vida!
E usufruir deliciosamente do luto temporário dessas perdas tão alegres
E permito-me não ser redundante juntando aquelas metades que compõe
o meu todo _ agora fatalmente feminino
Longe das mazelas imponentes do bom senso
Eu posso _ e devo!
Ser uma alma fragmentada
metade pássaro_ metade estupor
metade dúvida_ metade lascívia
metade pão e vinho  e metade insolência
E assim eu vou de metade em metade
infinita e profunda!

joice berth

Posted: 26/01/2012 in A vespa midiática

Musicaixa de Jackson Abacatu

Passeios

Posted: 22/01/2012 in A vespa poética, Uncategorized
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Eu caminhava sozinha
acolhida pela multidão
Nas mãos carregava sonhos,
Nos sapatos, pétalas de rosas
Na boca um quase sorriso
No peito uma quase dor
Dentro da cabeça _ o silêncio
E na voz o rancor das horas que deixei
despedaçar pelo caminho
Na barriga o frio do primeiro beijo
No sorriso o calor da inocência de quem
aprendeu fácil a semear liberdade
E assim passeava, eu sozinha,
buscando lendas nas fendas do infinito
Céu
Construo o que vejo fluindo reverências
próprias
Aos pássaros que notam que meus passos
já nem tocam mais o chão
E assim eu continuo, sem possibilidade de queda
Na impossibilidade infeliz do voo
Eu sozinha, vou brincando de ser feliz
Preocupada em não me deixar contaminar pela
realidade_ na inutilidade das verdades que guardei
Quando acreditava ser eu mesma
Ainda parte das inversões impessoais
contidas na multidão que me segue
enquanto continuo…

joice berth

Devo pedir desculpas:

– Não nasci para a mediocridade!

Não sei se nasci para a ignorância ou para a sabedoria,

Para paciência ou para a inquietação, para coragem ou para o medo.

Para a confusão ou o discernimento.

Ou quem sabe pra tudo isso e mais um pouco?

Mas para a mediocridade, digo exaustivamente que não.

Grito que não!

Minha alma tem fome, muita fome!

Fome do que é belo.

E sou insaciável, desejo ardentemente, compulsivamente, a beleza das coisas.

Penso que a beleza está descaradamente atrelada ao que é verdadeiro

Não anseio a posse, nem tão pouco o domínio.

É minha alma quem carece

Cheia de complexidade

O sentir é na alma e é ela quem absorve a beleza das coisas

Nas conversas impregnadas de risos e inocências

Nos olhares amistosos e compadecidos lançados aos que sofrem

Nos seios maternos que alimentam, nos beijos molhados pelas salivas sinceras dos que amam

Nos acréscimos de afetos velados

E nos escancarados!

Nos campos floridos transbordantes de cores, aromas ,texturas e tons

No abraço sincero, no sorriso espontâneo… e em todos as ações que exalam sentimentos.

Até na saudade…

Mas a mediocridade…essa não me apraz nem de longe.

Há quem me desdenhe, dizendo –  eis ai uma coisa que ninguém gosta!

Isso lá é verdade. Mas há quem cultive, minuciosamente.

Há quem subjugue a alma, em troca das tais necessidades da matéria

Deixando de sentir tudo que não tem preço

Há quem disperdice  amigos,  quem supervalorize o egoísmo

Há quem mascare o medo com o preconceito, e

alimente a vaidade com generosas porções de ilusão.

Há gostos e situações pra tudo nessa vida.

Mas eu, definitivamente, não nasci pra mediocridade!

PRESENÇA

Posted: 04/01/2012 in A vespa poética


Do alto da ponte elevada pavimentada pelo seu ego petrificante

Vejo o sol escuro da ignorância que cerceia teus dias

Declamando sua insolente verborragia, proclamando o caos da sua alma conturbada,

Ora paz, ora enxurrada de desespero e dor.

É assim que constrói-se a morada avulsa de um peito estreito

Onde cabe a miséria humana, a hipocrisia circundante que mascara os medos,

As nuvens de sentimentos tortos disfarçados de crença na santidade,

Tudo na morada avulsa cabe, exceto a presença suave contida em uma

palavra tão usada, em vão, de significado deturpado e realidade esquecida,

Pouco vivenciada, muito desejada

morada definitiva da serenidade, da constância e da caridade

Aquele que expande o que está estreito em nossa alma, ilumina o que é obscuro  em nossos desejos

e se espalha tão facilmente…