Arquivo de Maio, 2012

   Ladainha…

Posted: 30/05/2012 in A vespa poética

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Ladainha

A mesma reza e meus excessos não se medem

Ao contrário das virtudes da conveniência: imensuráveis.

Quando todos oferecem o riso sincero, a leveza mete o pé na porta

A vida como uma obra expressionista,

Não permite conter afetos

Como numa cena de novela antiga, as verdades esperam beijos finais

Estive também esperando um sinal

No final dos tempos

A ventania inaudível da angustia

Meu tempo calou-se, de tanto eco que fez,

Não percebi tua partida

Ainda aprecio teu fel

Na ânsia de indeterminar tua subida

Da última vez que estivemos de frente

Eu, arrefecida pela tua verdade, estremeci.

Minha coragem expirou-se, criou asas!

Desculpe dizer, mas tua inocência é uma farsa

Do mesmo lugar de onde sai

Vou plantar minhas decadências

Com dúzias de crianças, vou sentar na terra.

Esperar brotar o que produz saudade

Dentro da minha insanidade

A alegria do teu irretocável retorno

Beirando o contorno do meu incrédulo sorriso.

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Posted: 25/05/2012 in A vespa midiática

Cida Pedrosa declamada na Voz de João Gomes e Tânia Consuelo com trilha espetacular de janis Joplin.

E a alma feminina se derrama cheia de malícias…na ausência de milícias morais!

Posted: 25/05/2012 in A vespa imagética

Eu estou feliz porque

 também sou

da sua companhia

Salve Jorge!!!!!

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Ai como a vida é suave sob o olhar frio da lua

Até tiro o véu das aparências e ponho por cima da cama

Tiro de baixo dos meus lençóis minhas sutilezas de menina

Tiro da noite escura mil juras de perdão

Visto a imagem que me quiserem ver, fico revestida pela neblina

das línguas impuras

Esqueço a última chuva, chuto pedras e me quebro em mil pedaços de sólida doçura

Remendo meus amores rasgados nos calores, na exaustão.

Enxugo o suor amargo daqueles que odeiam as banalidades do acaso

Sigo despetalando as margaridas da arrogância, reviro meu ego prostrado

Piso sem medo nos imensos territórios das neuroses coletivas

Compartilho minhas facilidades com esse mundo que rejeita

Absorvo tudo que é improvável, questiono as respostas

Durmo em bordéis assexuados

Cuspo  valsas,

Escolho  palavras  falsas, me deito na verdade contida em todas as ironias

Esqueço minha capa insalubre ao sabor do vento

Debocho da minha própria promiscuidade

Só poder dançar sem destino, sob o olhar frio da lua

Final de domingo.

Posted: 10/05/2012 in A vespa conta

Levantou-se e foi de encontro à porta com os passos amarrados de quem não queria ir. Parou, virou-se e olhou-me com uma ternura incompatível com o momento. Corri em sua direção. A distância já era enorme.  Segurou meu rosto com as mãos trêmulas e deu-me um longo beijo, com gosto de final de domingo. Sabíamos que era a hora do adeus. Mas nossos corpos estavam longe de concordar. Sempre me pergunto se há um momento na vida que representa a exata confluência das convicções da inteligência com as voracidades do corpo. Enquanto a resposta não vem, concentro-me nas necessidades práticas do nosso cotidiano. O meu e o dele. Não tínhamos a menor afinidade intelectual. Eu lia Hilda Hilst e ele berrava o hino obsceno do time do coração. Eu cozinhava meus melhores pratos vegetarianos e ele vasculhava nas páginas do jornal da semana o endereço da churrascaria da moda. Eu ouvia world music e ele, atento às últimas tendências do mundo pop. E as diferenças brotavam a cada dia. Não havia conflito direto, a paixão nos fazia calar os incômodos da convivência desprovida de afinidades. Vivíamos apenas breves espantos frente as nossas inúmeras incompatibilidades.

Não havia pilares no intelecto capazes de nos sustentar. Mas bastavam alguns minutos de encontro físico e tudo se dissolvia. Era um festival de suspiros, muito mel e sonhos inconfessáveis, descaradamente desvendados naqueles momentos onde éramos inteiros.

Mas como tudo que pende de um lado só, um belo dia, resolvi que queria o fim. Na verdade, nesse dia não houve nada de belo. Em pé, num triste diálogo onde me sentia acuada pela sua inconformidade, nos despedimos. Pela primeira vez, não nos despimos. Não no sentido físico da palavra. Ele trágico, ponderava sobre os meus motivos expostos sem dramatização. Eu era só certeza.

Ele questionava as causas. E eu, escondendo a minha agonia por estar dispensando, aquele que talvez tivesse sido meu melhor amante, respondia em voz alta para ele, tentando também acreditar:

-E quem precisa de razões para encerrar uma relação incompleta? Assim como não há razões para se iniciar uma paixão, um amor, uma amizade. Sentimentos são etéreos e dissimulados. Quase sempre desconhecemos a dimensão da sua verdade. Nunca chegamos ao fim, nunca entregamos as armas. Os medos estão presentes a cada beijo, a cada abraço, a cada carícia. Em cada gesto de carinho que se dá pela metade, pode procurar; o medo leva os outros 50%. É inevitável. O medo levou minha outra metade também.

E ele se foi, com as mesmas dúvidas que eu. Mas com todas as possibilidades de encontrar novas respostas, embora as perguntas permaneçam sempre nos mesmos lugares. E mais uma vez só resta uma certeza em mim, a de que o amor só é verdadeiro no seu derradeiro final, quando fechamos a porta entre nós e abrimos uma porta para o mundo.De perguntas sem respostas.