Microcontos

Posted: 23/09/2013 in Uncategorized

I

Dou-te meu futuro mal resolvido e as perdas imaginárias que eu alimento atentamente. Também te dou minhas dúvidas e minhas suposições. Tenho aos montes, todas elas guardadas em uma nuvem desenhada no centro dos meus olhos dramáticos. Em troca, quero teu passado, cuidadosamente bordado com preciosas rivalidades. Ando quase empapuçado de tanta liberdade. Liberta-me de ser tão livre, então? Não suporto mais tanta ternura reprimida. Preciso derramar. Lembrança boa é de quando passávamos os dias, a estabelecer trocas surdas e perdões mal ajambrados. Não que precisássemos um do outro. Mas as mazelas interiores tomavam forma humana quando conversávamos. E era de uma beleza tão irresponsável. Algo supurava bem no meio daquela cozinha cheirando a gordura e sexo. Nosso semiescuro habitat onde as horas se misturavam e as sensações físicas se aglutinavam movendo intermináveis confissões. A pauta do dia: como se recompor das alegrias que forjamos tão naturalmente? Elas envenenam ou envelhecem? Eu insistia que sim! Ela confabulava com sua teimosia que não. Na dúvida escolhemos acreditar que apenas por algumas horas, morreríamos. Mas para se recompor da felicidade perdida o caminho é o nunca. Nunca acreditarmos demais em quem somos.

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Comentários
  1. Tania Consuelo diz:

    Joice, muito gostoso de ler seu conto! beijo

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