Aos mestres com carinho

      Vladimir Maiakóvski

O poeta da revolução, grande expoente do movimento Futurista,  com sua poesia ritmada de frases fortes e visualidade característica, é sem sombra de dúvida, o maior expoente russo da poesia moderna.

O que mais chama a atenção na poesia de Maiakóvski é a forma com que expõe a indignação com o sistema político que vivenciava o seu país em forma de versos com discreta ironia.

Suicidou-se aos 36 anos mas seus versos continuam atuais.

FRAGMENTOS

1

Me quer ? Não me quer ? As mãos torcidas
os dedos
               despedaçados um a um extraio
assim tira a sorte enquanto
no ar de maio
caem as pétalas das margaridas
Que a tesoura e a navalha revelem as cãs e
que a prata dos anos tinja seu perdão
penso
e espero que eu jamais alcance
a impudente idade do bom senso

2

Passa da uma 
você deve estar na cama
Você talvez
sinta o mesmo no seu quarto
Não tenho pressa
Para que acordar-te
com o
relâmpago
de mais um telegrama

3

O mar se vai
o mar de sono se esvai
Como se diz: o caso está enterrado
a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites
Inútil o apanhado
da mútua dor mútua quota de dano

4

Passa de uma você deve estar na cama
À noite a Via Láctea é um Oka de prata
Não tenho pressa para que acordar-te
com relâmpago de mais um telegrama
como se diz o caso está enterrado
a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites inútil o apanhado
da mútua do mútua quota de dano
Vê como tudo agora emudeceu
Que tributo de estrelas a noite impôs ao céu
em horas como esta eu me ergo e converso
com os séculos a história do universo

5

Sei o puldo das palavras a sirene das palavras
Não as que se aplaudem do alto dos teatros
Mas as que arrancam caixões da treva
e os põem a caminhar quadrúpedes de cedro
Às vezes as relegam inauditas inéditas
Mas a palavra galopa com a cilha tensa
ressoa os séculos e os trens rastejam
para lamber as mãos calosas da poesia
Sei o pulso das palavras parecem fumaça
Pétalas caídas sob o calcanhar da dança
Mas o homem com lábios alma carcaça.

(tradução:  Augusto de Campos

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 Ana Cristina Cesar

 

Nasceu no Rio de Janeiro em 02 de junho de 1952. Escritora, poeta e tradutora, firmou-se como um dos maiores expoentes da poesia marginal,  m0vimento poético que explodiu na década de 70 também conhecida como geração mimeógrafo.

Antes de ser alfabetizada já dizia poesias para o familiares. Filha de uma família de intelectuais protestantes, teve uma produção literária muito rica, com várias publicações a partir da década de 70.

Seus primeiros trabalhos foram publicados em edições independentes, Cenas de Abril e Correspondência Completa.

Infelizmente a insatisfação constante aliada a uma mente altamente pensante levaram essa grande poeta ao suicídio aos 31 anos de idade.Seus versos cortantes e em muitos momentos autobiográficos, foram o incrível legado deixado por ela.

Noite Carioca

Diálogo de surdos, não: amistoso no frio.
Atravanco na contramão. Suspiros no
contrafluxo.

Te apresento a mulher mais discreta
do mundo: essa que não tem nenhum segredo.

Aventura na Casa Atarracada

Movido contraditoriamente
por desejo e ironia
não disse mas soltou,
numa noite fria,
aparentemente desalmado;
– Te pego lá na esquina,
na palpitação da jugular,
com soro de verdade e meia,
bem na veia, e cimento armado
para o primeiro a andar.

Ao que ela teria contestado, não,
desconversado, na beira do andaime
ainda a descoberto: – Eu também,
preciso de alguém que só me ame.
Pura preguiça, não se movia nem um passo.
Bem se sabe que ali ela não presta.
E ficaram assim, por mais de hora,
a tomar chá, quase na borda,
olhos nos olhos, e quase testa a testa.

Nada, Esta Espuma

Por afrontamento do desejo

insisto na maldade de escrever

mas não sei se a deusa sobe à superfície

ou apenas me castiga com seus uivos.

Da amurada deste barco

quero tanto os seios da sereia.

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