Archive for the ‘A vespa erotiza’ Category

imagem: grupo corpo  imagem:grupo corpo

                                                            

o primeiro aperto de mão.

o último suspiro de êxtase.

passando pelo momento da face ruborizada.

entre lençóis, espanto.

umidade na pele e calma.

violento ensejo. perturbação.

dos pés a cabeça.

o sangue gritando.

arredio como uma reza.

pelos quatro cantos da genitália.

quentura.

paura.

diversão.

inversão.

vestígios de mistérios decifráveis.

pecado é ilusão.

é solidão.

o gosto da vida pesando na saliva estática.

cheiro de euforia.

suavidade traumática.

restos de realidade.

velocidade ditando o ritmo. E corpo ia.

era uma dança.

Imune aos apelos da vaidade.

era carne, era boca, era um pouco da louca.

no embrulho pueril da cama.

e depois de extinta aquela chama.

a derradeira gota de fôlego,

escorrendo pelos pulmões exaustos

ainda clama.

Um dia pude ver de perto a confirmação do que sempre ouvi sobre as mulheres: Gostam de serem admiradas. Havia duas amigas, inseparáveis desde a infância, que moravam num pequeno vilarejo provinciano, com ares “italianados”, no interior de São Paulo, onde casos inusitados acontecem em todas as instâncias, inclusive sexuais. Quando ainda eram pequenas e com ares incontestáveis da tenra infância, já despertavam a atenção pela beleza. Não detinham a perfeição esperada pelos padrões habituais, mas exibiam uma harmonia inexplicável. E a usavam com uma habilidade nada infantil para amolecer os corações sempre apressados dos adultos. Cresceram mantendo as experiências da manipulação de pessoas e a perturbadora beleza física agora com formas de mulher, os pelos, os mamilos e as ancas arredondadas. E inseparáveis iam seduzindo tudo e todos na busca pela satisfação de seus intentos inocentes. Mal sabiam elas, o poder que tinham entre as pernas. Quantas punhetas inspiravam por noite, naqueles quartos onde o tesão já havia se arrefecido pelos vínculos sombrios com a moralidade. Coisas que sufocam a parte mais visceral da vida, talvez a única que poderia ostentar uma absoluta verdade: o sexo!

Já na idade juvenil as primeiras experiências amorosas despontavam juntamente com a latente sensualidade, sufocada até então pelas travessuras de infância.

Dois rapazes da mesma família que havia se mudado há pouco menos de um mês para a casa de frente de uma das meninas, imediatamente chamaram atenção das mães. A família era boa, os rapazes formados e cheios de boas intenções. As duas meninas se molhavam de tanta curiosidade e não demorou muito, foram notadas. Mas ao contrário do esperavam todos do vilarejo, foram desdenhadas solenemente. Não se comoviam com a abundancia de sensualidade, os seios sacolejastes e as coxas roliças. Não se deixavam vencer pelos traseiros duros e empinados envoltos em vestidos fluidos e reveladores. Era tudo muito obvio para eles. E isso despertou comoção da parte dos outros homens do vilarejo. Num fim de tarde de domingo, o vilarejo estava quase vazio, dia de Missa. E quando os últimos raios de sol já davam lugar para o escuro da noite, as meninas resolveram apostar no imprevisível.

Puseram-se diante da janela, a meia luz desenhando as belas silhuetas e começaram a se tocar carinhosamente. Demoradamente, as mãos deslizavam pelos corpos em concordância com os beijos e os sussurros barulhentos. As bocas percorriam as partes mais íntimas do corpo sem nenhum pudor. Os rapazes que conversavam sobre as trivialidades da vida, naquela tarde, finalmente olharam pras moças com algum interesse. Acomodaram-se diante da janela da sala enquanto assistiam com os olhos brilhantes aquela cena que de tão excitante não parecia surreal. Vez por outra, as meninas lançavam um olhar travesso em direção a casa dos rapazes, na certeza de que estavam sendo observadas E o balé muito bem ensaiado pelo desejo mútuo prosseguia. Os rapazes já não se agüentavam mais e a essa altura, já haviam aberto as cortinas, num claro sinal de que queriam participar daquilo.

Quando abriram os olhos lânguidos, onde nas pálpebras pesavam os sinais do quase êxtase e observaram que um deles expunha para fora da calça, aquele órgão reluzente e latejante que elas tanto desejava, uma delas se retorceu num orgasmo sonoro. Os rapazes então foram ao delírio com os gritos nervosos da menina e se renderam aos apelos daquela visão luxuriante. Agarraram-se desesperadamente, arrancando as roupas e exibindo os corpos fortes, de músculos definidos, coloração tropical e beijos molhados. Rapidamente, um deles já estava ajoelhado, se deliciando com o gosto do outro que continuava observando as meninas. As duas, numa mistura de perplexidade e dúvida, diminuíram o ritmo por alguns segundos. Depois se renderam e assim seguem até hoje. Casaram-se as duas com os dois desejados rapazes e foram morar sob o mesmo teto.

E os prazeres se multiplicaram…

Autoflagelo

Posted: 06/04/2012 in A vespa erotiza
E sonhar não faz parte da minha vida. Nunca fez. Da minha vida faz parte o desejo. Latente. Serpenteando meus pensamentos dia e noite, noite e dia. Queima essa volúpia cadente que retorce a alma, umedecendo meus órgãos, estremecendo minha língua. Passam as horas torturantes. E ele continua ali intacto, cativo, soberbo, me invadindo sem medo.
O meu desejo não tem nome que eu conheça. Mas uma roupa provocante, de tecido dançante, suave, balança com o sopro do vento. Minha visão fica turva de tanto delírio. Minha voz é a primeira a fugir de mim. Covarde! Tudo em mim se rende. Se curva.
Naquela calçada, com hora marcada, desfila meu tormento. Como se não soubesse, passa lentamente. Arrogante, leva meu olhar sem piedade. Minhas pernas gemem. E eu já nem sei se desejo a satisfação desse meu desejo. Talvez meu prazer seja esse. O simples desejo. Não. Não sou voyeur. Os cinco sentidos dividem o êxtase da dança suave do seu corpo quando caminha. Talvez de tanto desejar, nasceu em mim um sexto sentido, que capta a lascívia daqueles trejeitos.
Mesmo dormindo a febre desse querer animal permanece. Minhas mãos solidárias procuram o caminho obscuro da satisfação solitária. Eu sistematicamente decreto que não. Não posso dispor numa mísera função fisiológica essa promessa de paraíso que se anuncia no meu querer. E rolo na cama, mordisco meus lábios, aperto os olhos e me acaricio. Arrepio. E esse calor, de tão forte incendeia minha alma. Devora minha calma. E eu desejando possuir cada canto do lânguido ser. Peito, boca, colo, sexo. E eu em delírio. Minhas mãos trêmulas insistem em saciar a sede que sinto daquele corpo. Não. E durmo imaginando que no dia seguinte, minha pérfida agonia terá fim. Num instante de pura grandeza, me imagino no mais excêntrico envolvimento carnal. Fluídos corpóreos. Suspiros. Gemidos. Saliva salgada, impregnada de carmas adormecidos. Reviro os olhos, quase enlouqueço ao som de nossos gemidos. Minhas mãos agora livres das amarras da minha teimosia passeiam sorrateiras pela escultura ondulada das ancas. E os pelos molhados anunciam o prazer se aproximando, trotando ao som das batidas do coração. Cada vez mais forte o cheiro dos mistérios gozosos que desejei a vida inteira. Mal consigo controlar os espasmos do meu corpo. A mistura de frio e calor entre minhas pernas. E antes que o delírio absoluto me prenda pra sempre numa lancinante desarmonia de sentidos, numa explosão, numa ebulição intensa do meu corpo, pulo da cama:
– Não! Não! O grito ecoa pelo quarto acordando todos que repousavam.
– O que houve? Perguntam invadindo meu quarto – Que grito foi este?
– Nada, voltem a dormir e me desculpem!
Nesse instante descobri meu verdadeiro caminho para o prazer.
Desejar sempre…
E a boca procura a língua,
a língua procura o falo,
o falo procura a saliva
na saliva, que haja calor!
Se o calor procura o gemido
No gemido, que haja loucura!
Na loucura procuro ternura.
A ternura procura o colo,
E no colo está teu desejo
No desejo, morre minha lucidez
Na lucidez o amor exposto
à deriva do êxtase.