Archive for the ‘A vespa poética’ Category

Haicais

Posted: 04/01/2014 in A vespa poética

I

O grito da Lua

Ribomba em todo coração

Se recompor do Sol é sua aptidão

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II

Pássaro vadio

Por sobre as flores avoa

Foi refrescar-se na garoa

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III

Pássaro amarelo filho do Sol

Bate asas de alegria

Acendeu a luz do dia

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IV

Esse mar azul onde peixe peleja

Quebra no peito

A pedra da tristeza

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V

Lua não beija porque não tem boca

A fala da mãe

Deixou a menina oca

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VI

Têm flores aqui, flores aí

Flores em toda rua

É cama pra deitar nua

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imagem: grupo corpo  imagem:grupo corpo

                                                            

o primeiro aperto de mão.

o último suspiro de êxtase.

passando pelo momento da face ruborizada.

entre lençóis, espanto.

umidade na pele e calma.

violento ensejo. perturbação.

dos pés a cabeça.

o sangue gritando.

arredio como uma reza.

pelos quatro cantos da genitália.

quentura.

paura.

diversão.

inversão.

vestígios de mistérios decifráveis.

pecado é ilusão.

é solidão.

o gosto da vida pesando na saliva estática.

cheiro de euforia.

suavidade traumática.

restos de realidade.

velocidade ditando o ritmo. E corpo ia.

era uma dança.

Imune aos apelos da vaidade.

era carne, era boca, era um pouco da louca.

no embrulho pueril da cama.

e depois de extinta aquela chama.

a derradeira gota de fôlego,

escorrendo pelos pulmões exaustos

ainda clama.

Fanfarra

Posted: 09/01/2013 in A vespa poética

 

                    Ô vida inútil!

                Ô vida sem graça!

         Debocha de mim, malvada,

           enquanto o tempo passa.

             Mas a risada mais alta

                 enfim será minha.

             Ao final dessa jornada,

        quando eu bater em retirada

         por tristeza, fome ou tiro.

          Livro-me da tua insolência,                             

                  Provo ao fracasso

                 minha competência 

           E te deixo sem reticência.

          E no frio de minha ausência

                  Há de sentir falta

           do meu mundo colorido.             

         Do meu querer constrangido,

        Minha decência escancarada.

      E todo amor que plantei escondido,

     enquanto teu peso me assustava

         há de tecer na madrugada

           milhões de campos floridos.

           Dispersos. Quase Infinitos.

         Do tamanho dos meus amores.

 

Imagemhttp://olhares.uol.com.br/RBMorganStudios

Tudo que eu sei sobre…

Amor?

Fratura exposta.

Desatino gritante. Desnecessário?

Fundamental como a sujeira do corpo.

Manipulador perverso da santíssima trindade:

Dor, Ardor, Torpor.

Centelha de adeus à lucidez.

Supressão questionável dos sentidos.

Alegria vigilante. Viva.

Uma dívida.

Um colo.

Um soco no estômago.

Palavra presa na boca.

Dança solitária em praça pública.

Dúvida eterna.

Pernas escancaradas de mulher parindo.

Pernas entrelaçadas de mulher trepando.

Pernas trêmulas de mulher desejando.

Sorriso vazio.

Memória de futuro.

E luz! Muita Luz!

Todas as luzes internas acesas.

Farol iluminando o olhar obsceno da noite.

Travelling

Posted: 09/12/2012 in A vespa poética

Imagem

Travelling

Procurando em círculos, os nós da compreensão.

Que sejam desfeitos.

Para desespero da ciência cética.

Vidas perdidas de tantos homens!

Não há luz que ilumine delinquências.

Procurando em círculos

Pés plantados na urgência

Não há tempo!

Cautelosos!

Mil corações fecharão  portas.

Vontade humana de deitar no ventre do universo.

E reincidir o contrato com a paz. Romper com a guerra.

A compaixão ressentida perdeu-se pelos caminhos

da dúvida.

Devo ancorar meu pensamento no cinismo inerte dos homens de boa vontade?

O êxtase não se estabelecerá na selva cinza.

O sexo não encontrará o gozo.

Também tenho teto de vidro.

Meu custo é pouco e o amor não é moeda de troca.

Nada me purifica.

Meus medos não se sustentam.

E que nada nos resgate do abismo.

Merecedor que sou,

Pela cumplicidade

que dorme em meu silêncio,

enquanto

compartilho a culpa com os criadores do caos.