Archive for the ‘Uncategorized’ Category

dia

Posted: 22/04/2014 in Uncategorized

dia

noite

Posted: 22/04/2014 in Uncategorized

noite

 

Das delicadezas que escravizam pela visão

Nasce uma dúvida

E se eu fosse uma gota de mar ou de lago

De rio ou de cascata

Meu ponto de equilíbrio seria a leveza do toque

Ou talvez a sonoridade que fica ausente na sombra

Meu ponto de equilíbrio seria uma ponte entre o agora

E o dia que amanhece cinza

Seria a promessa do beijo que morre

Seria uma cama de nuvem que flutua pelo corpo,

Internamente

Seria o grito da Deusa decadente

Sendo desvirginada

Nada seria meu ponto de equilíbrio

Eu mesmo me respondo

Sendo eu uma gota de qualquer junção de líquido

Pequena como a lágrima ou grande como o oceano

Ter um ponto de equilíbrio me anularia

Sendo a gota um ensaio de ser humano

Melhor seria aceitar a dor da vida

De que o equilíbrio produz no peito

A cerca de arame que limita as experiências.

Sendo gota, em mim o nada finda.

Sendo gota somos, nós, a embriaguez da leveza

E a possibilidade cintilante de muitos amanhãs.

 

Microcontos

Posted: 23/09/2013 in Uncategorized

I

Dou-te meu futuro mal resolvido e as perdas imaginárias que eu alimento atentamente. Também te dou minhas dúvidas e minhas suposições. Tenho aos montes, todas elas guardadas em uma nuvem desenhada no centro dos meus olhos dramáticos. Em troca, quero teu passado, cuidadosamente bordado com preciosas rivalidades. Ando quase empapuçado de tanta liberdade. Liberta-me de ser tão livre, então? Não suporto mais tanta ternura reprimida. Preciso derramar. Lembrança boa é de quando passávamos os dias, a estabelecer trocas surdas e perdões mal ajambrados. Não que precisássemos um do outro. Mas as mazelas interiores tomavam forma humana quando conversávamos. E era de uma beleza tão irresponsável. Algo supurava bem no meio daquela cozinha cheirando a gordura e sexo. Nosso semiescuro habitat onde as horas se misturavam e as sensações físicas se aglutinavam movendo intermináveis confissões. A pauta do dia: como se recompor das alegrias que forjamos tão naturalmente? Elas envenenam ou envelhecem? Eu insistia que sim! Ela confabulava com sua teimosia que não. Na dúvida escolhemos acreditar que apenas por algumas horas, morreríamos. Mas para se recompor da felicidade perdida o caminho é o nunca. Nunca acreditarmos demais em quem somos.

Moinho

Posted: 15/04/2013 in Uncategorized

Moinho

 

Na beira do abismo onde nascem os sonhos,

Homens deitados descansam suas carcaças fúnebres,

Vazias das almas que se dissolveram na luz obtusa

de um último orgasmo.

De dentro delas, nascem flores secas.

Azuis, amarelas, vermelhas.

da cor da face temível de suas viúvas desconhecidas.

E como gemem esses homens!

O gemido silencioso da dúvida.

Clamam por um colo que acalme

o frio de seus corpos vazios de esperança.

Serpenteiam ali deitados, ao som assimétrico

do útero inviolável das mulheres santas.

Elas estão prestes a parir a fúria,

como quem enfrenta um inimigo.

Elas estão prestes a parir a morte,

como quem enfrenta a vida.

A morte não é o inimigo.

A vida é.

Inimigo solitário nesse tempo aberto como o coração de Deus.

O tempo do espólio fecundo de quilos de saudade.

O tempo dos homens vazios que se anula

 dentro do olhar abatido pelo prazer pagão.

O tempo que vive neles é pagão.

A dor que deles evapora é pagã.

O perdão de suas viúvas virgens é pagão.

E os homens vazios que gemem a beira do abismo

Desejam, no delírio do tempo,

A alegria reversa dos meninos verdes.

Esses correm descalços de temores, molhados pela chuva.

A chuva é o componente místico da liberdade.

A liberdade é o átomo indivisível da alma.

Os meninos não dependem da dor que purifica os homens.

Dentro dos meninos tudo é fértil.

Tudo é santo.

Tudo é pagão.

Eles conhecem o amor. Eles não conhecem o amor.

Não sabem do amor. Só sabem do amor.

Sustentam o próprio peso no solo movediço das emoções.

Um dia serão abraçados pela vaidade indigente.

E esvaziados pela luz obtusa de um último orgasmo.

A beira do abismo dos sonhos, também descansarão